Quem Sou

Sandra de Araujo Maia, Graduada em Psicologia (PUC-SP / F.M.U.), especialista em Psicoterapia Psicanalítica (Biblioteca Freudiana Brasileira), mestre em Ciências ( Programa de Pós-graduação da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de S.P.) Conclusão do curso de Formação de Ator – EAD / ECA - USP. Ex-docente de Psicopatologia e Psicologia Diferencial da F.M.U

 
 
Adolescência e o uso de drogas PDF Imprimir E-mail

A palavra “adolescer” vem do latim adolescere, que significa crescer, tornar-se maior. Desde a antigüidade, tem-se procurado identificar as características do adolescente. O filósofo grego Sócrates (470 a.C. – 399 a.C.) considerava “que os jovens rebelam-se contra a autoridade e não respeitam os mais velhos.

Contradizem seus pais e tiranizam seus mestres”. Por outro lado, Aristóteles (383 a.C. - 322 a.C.) referia-se aos adolescentes como: “cheios de esperança, por não haverem sofrido muitos desenganos e se comprazem na convivência valorizando, mais que as pessoas de outras idades, a amizade e o companheirismo, já que buscam mais o amigo do que o interesse. Tudo fazem com excesso: se amam, se odeiam, se, enfim, agem, o fazem com veemência” .

A adolescência é um período cheio de desafios, inquietações e turbulências e é considerada a fase mais tumultuada do desenvolvimento humano, em função das grandes modificações físicas e emocionais, processadas em curto espaço de tempo. Em função disto, acabam ocorrendo desvios de comportamento que podem se transformar em problemas mais sérios. A instabilidade interna, os intensos conflitos, a incerteza quanto ao futuro, tornam o adolescente vulnerável a uma série de situações, entre elas, o uso de drogas. Vários autores alertam ser este período o mais crítico e suscetível para a iniciação do uso de substâncias psicoativas.

O uso de drogas na adolescência é uma questão que preocupa cada vez mais pesquisadores e profissionais da saúde e educação. A análise da história pessoal de pacientes dependentes de substâncias psicoativas, indicam que, na maioria dos casos, o uso inicial ocorre na adolescência.

            Pesquisas mostram que o uso de drogas entre adolescentes tem aumentado. Em um Levantamento Nacional realizado pelo CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) com dados de 15.503 estudantes, 50% dos estudantes entre 10-12 anos relataram já ter usado álcool, 11,6% tabaco e 11% outras drogas.

            A precocidade do início do uso de álcool e outras drogas também tem sido alvo de preocupação. Existem vários estudos mostrando que crianças e adolescentes estão se envolvendo cada vez mais cedo com álcool e outras drogas. Adolescentes dependentes de substâncias psicoativas, relatam ter iniciado o consumo de álcool na infância, indicando uma possível relação entre precocidade do consumo e desenvolvimento da dependência.

            A análise dos antecedentes do uso inicial de álcool e drogas entre adolescentes, chama a atenção para a escassez de informações a respeito dos problemas relacionados ao uso inicial de drogas, embora nem todo uso inicial leva a um uso problemático. É importante conhecer os diferentes estágios de envolvimento com as drogas e analisar as variáveis envolvidas, tais como as psicossociais, o padrão de consumo e as razões atribuídas para o uso inicial.

Alguns fatores fortemente associados ao uso de drogas por adolescentes são o uso de drogas pelos seus amigos e a facilidade de obtenção ou disponibilidade da droga. Na adolescência, a tendência grupal assume grande importância, tornando cada componente do grupo mais forte, menos solitário, aumentando a auto - estima. As atitudes impostas pelo grupo passam a ser soberanas, pois dele advém o suporte emocional e a aprovação do grupo. Ter amigos que fazem uso de drogas é a condição principal para se dar a experimentação inicial. Um dos estudos com adolescentes em tratamento para dependência química  concluiu que, pelo menos para esta parcela da população, os amigos foram uma influência decisiva para a experimentação inicial. Em contrapartida, a desaprovação do uso de drogas pelos pares e pelos familiares significantes é considerada um fator protetor do uso de drogas pelos adolescentes.

Apesar das inúmeras razões atribuídas e relacionadas ao uso inicial de álcool e drogas, o aspecto familiar e o relacionamento com amigos tem recebido maior atenção, sendo  a presença de conflitos familiares e a influência dos amigos associados a altos níveis de uso de drogas.

 
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